Thursday, April 14, 2011
Monday, March 21, 2011
Eidolons, Whalt Whitman (a propósito do Dia Mundial da Poesia)
I met a seer,
Passing the hues and objects of the world,
The fields of art and learning, pleasure, sense,
To glean eidolons.
Put in thy chants said he,
No more the puzzling hour nor day, nor segments, parts, put in,
Put first before the rest as light for all and entrance-song of all,
That of eidolons.
Ever the dim beginning,
Ever the growth, the rounding of the circle,
Ever the summit and the merge at last, (to surely start again,)
Eidolons! eidolons!
Ever the mutable,
Ever materials, changing, crumbling, re-cohering,
Ever the ateliers, the factories divine,
Issuing eidolons.
Lo, I or you,
Or woman, man, or state, known or unknown,
We seeming solid wealth, strength, beauty build,
But really build eidolons.
The ostent evanescent,
The substance of an artist's mood or savan's studies long,
Or warrior's, martyr's, hero's toils,
To fashion his eidolon.
Of every human life,
(The units gather'd, posted, not a thought, emotion, deed, left out,)
The whole or large or small summ'd, added up,
In its eidolon.
The old, old urge,
Based on the ancient pinnacles, lo, newer, higher pinnacles,
From science and the modern still impell'd,
The old, old urge, eidolons.
The present now and here,
America's busy, teeming, intricate whirl,
Of aggregate and segregate for only thence releasing,
To-day's eidolons.
These with the past,
Of vanish'd lands, of all the reigns of kings across the sea,
Old conquerors, old campaigns, old sailors' voyages,
Joining eidolons.
Densities, growth, facades,
Strata of mountains, soils, rocks, giant trees,
Far-born, far-dying, living long, to leave,
Eidolons everlasting.
Exalte, rapt, ecstatic,
The visible but their womb of birth,
Of orbic tendencies to shape and shape and shape,
The mighty earth-eidolon.
All space, all time,
(The stars, the terrible perturbations of the suns,
Swelling, collapsing, ending, serving their longer, shorter use,)
Fill'd with eidolons only.
The noiseless myriads,
The infinite oceans where the rivers empty,
The separate countless free identities, like eyesight,
The true realities, eidolons.
Not this the world,
Nor these the universes, they the universes,
Purport and end, ever the permanent life of life,
Eidolons, eidolons.
Beyond thy lectures learn'd professor,
Beyond thy telescope or spectroscope observer keen, beyond all mathematics,
Beyond the doctor's surgery, anatomy, beyond the chemist with his chemistry,
The entities of entities, eidolons.
Unfix'd yet fix'd,
Ever shall be, ever have been and are,
Sweeping the present to the infinite future,
Eidolons, eidolons, eidolons.
The prophet and the bard,
Shall yet maintain themselves, in higher stages yet,
Shall mediate to the Modern, to Democracy, interpret yet to them,
God and eidolons.
And thee my soul,
Joys, ceaseless exercises, exaltations,
Thy yearning amply fed at last, prepared to meet,
Thy mates, eidolons.
Thy body permanent,
The body lurking there within thy body,
The only purport of the form thou art, the real I myself,
An image, an eidolon.
Thy very songs not in thy songs,
No special strains to sing, none for itself,
But from the whole resulting, rising at last and floating,
A round full-orb'd eidolon.
Passing the hues and objects of the world,
The fields of art and learning, pleasure, sense,
To glean eidolons.
Put in thy chants said he,
No more the puzzling hour nor day, nor segments, parts, put in,
Put first before the rest as light for all and entrance-song of all,
That of eidolons.
Ever the dim beginning,
Ever the growth, the rounding of the circle,
Ever the summit and the merge at last, (to surely start again,)
Eidolons! eidolons!
Ever the mutable,
Ever materials, changing, crumbling, re-cohering,
Ever the ateliers, the factories divine,
Issuing eidolons.
Lo, I or you,
Or woman, man, or state, known or unknown,
We seeming solid wealth, strength, beauty build,
But really build eidolons.
The ostent evanescent,
The substance of an artist's mood or savan's studies long,
Or warrior's, martyr's, hero's toils,
To fashion his eidolon.
Of every human life,
(The units gather'd, posted, not a thought, emotion, deed, left out,)
The whole or large or small summ'd, added up,
In its eidolon.
The old, old urge,
Based on the ancient pinnacles, lo, newer, higher pinnacles,
From science and the modern still impell'd,
The old, old urge, eidolons.
The present now and here,
America's busy, teeming, intricate whirl,
Of aggregate and segregate for only thence releasing,
To-day's eidolons.
These with the past,
Of vanish'd lands, of all the reigns of kings across the sea,
Old conquerors, old campaigns, old sailors' voyages,
Joining eidolons.
Densities, growth, facades,
Strata of mountains, soils, rocks, giant trees,
Far-born, far-dying, living long, to leave,
Eidolons everlasting.
Exalte, rapt, ecstatic,
The visible but their womb of birth,
Of orbic tendencies to shape and shape and shape,
The mighty earth-eidolon.
All space, all time,
(The stars, the terrible perturbations of the suns,
Swelling, collapsing, ending, serving their longer, shorter use,)
Fill'd with eidolons only.
The noiseless myriads,
The infinite oceans where the rivers empty,
The separate countless free identities, like eyesight,
The true realities, eidolons.
Not this the world,
Nor these the universes, they the universes,
Purport and end, ever the permanent life of life,
Eidolons, eidolons.
Beyond thy lectures learn'd professor,
Beyond thy telescope or spectroscope observer keen, beyond all mathematics,
Beyond the doctor's surgery, anatomy, beyond the chemist with his chemistry,
The entities of entities, eidolons.
Unfix'd yet fix'd,
Ever shall be, ever have been and are,
Sweeping the present to the infinite future,
Eidolons, eidolons, eidolons.
The prophet and the bard,
Shall yet maintain themselves, in higher stages yet,
Shall mediate to the Modern, to Democracy, interpret yet to them,
God and eidolons.
And thee my soul,
Joys, ceaseless exercises, exaltations,
Thy yearning amply fed at last, prepared to meet,
Thy mates, eidolons.
Thy body permanent,
The body lurking there within thy body,
The only purport of the form thou art, the real I myself,
An image, an eidolon.
Thy very songs not in thy songs,
No special strains to sing, none for itself,
But from the whole resulting, rising at last and floating,
A round full-orb'd eidolon.
Saturday, February 26, 2011
Ensaio sobre a Lucidez, por José Saramago
Ensaio sobre a Lucidez é talvez uma das mais subvalorizadas obras de José Saramago. Sem talvez, será uma das menos divulgadas. O que é pena!
Numa capital, por altura de uma eleição, a população vota, em massa, branco. Na repetição das eleições, a percentagem de votos em branco é ainda maior. O Governo sente o abalo destas eleições e reage. Seguem-se medidas que visam acabar com a sublevação sem rosto, classificando-o como um ataque à democracia. Procuram-se culpados, restrigem-se liberdades e direitos, mas dos cabecilhas nem indícios. Na realidade, nem de um movimento há indícios, mas as coisas não acontecem desta forma sem que ninguém as organize. Finalmente torna-se imperativo que o país cerque a sua capital.
Nesta primeira parte a obra serve fundamentalmente como exercício sobre os meandros do poder e das decisões, a forma como. Nesta parte os intervenientes são o Governo e a População, assim mesmo de forma colectiva, com aparições esporádicas do Presidente. De um lado procuram-se soluções, do outro heroicamente acatam-se e adaptam-se. A solução assume cada vez mais os contornos da necessidade de um bode expiatório, alguém que possa acatar com as responsabilidades da sucessão de falhanços. Falhanços a cuja arquitectura Saramago nos conduziu pela sua pena, através dos corredores de decisão e calculismos que minam o poder e o sistema partidário actual.
Seguimos então, por intermédio de uma denúncia maldosa e, para os leitores regulares de Saramago pouco, anónima, para o verdadeiro ensaio sobre a Lucidez.
Transportados para o interior da população pela pena de Saramago e a visão de uma equipa de polícias à paisana, procuramos com eles as provas que incriminem essa mulher que "não cegou quando todos os outros cegaram" do odioso assalto à democracia. Procura de provas que, segundo ordens superiores, podem ser arranjadas e não encontradas, nem que seja necessário que a realidade seja distorcida, nem que os criminosos sejam heróis e os heróis nunca se conheçam.
Saramago consegue com uma escrita magnética justificar nesta obra o Prémio de 1998.
De facto, a melhor forma de caracterizar esta obra é chamar-lhe uma parábola sustentada por imaginação, compaixão e ironia e que continuamente nos permite apreender uma realidade fugidia (adaptado de "The Nobel Prize in Literature 1998". Nobelprize.org, 26 Feb 2011, http://nobelprize.org/nobel_prizes/literature/laureates/1998).
Obviamente as convicções políticas do autor não estão ausentes, mas a sua presença dá-se de forma ambígua e não sem que a obra possa ser vista como crítica. Há espaço para se interpretar como sendo a Lucidez do título a que separa a forma comunitária como a Capital reage ao abandono pelo poder, da cegueira de quem se senta no trono. O que torna esta leitura possível é o facto de aqui, ao contrário de outras obras, Saramago não procurar levar o leitor ao colo através de conclusões. Aqui não há uma infantilização do leitor, não há longas imposições de factos, há pinceladas e descrições de estados de espírito, de pensamentos. Há uma grande nuvem pintada, que para uns é cinzento escuro, para outros cinzento claro, mas sempre cinzento como uma manhã de nevoeiro.
"Ensaio sobre a Lucidez", que roça a obra perfeita, passou ao lado de polémicas. O que é pena!
Saturday, February 19, 2011
Lost Girls, Alan Moore com desenhos de Melinda Gebbie
Alan Moore aventurou-se, com Melinda Gebbie, em fazer crescer três meninas muito conhecidas por serem isso mesmo: meninas. Agora mulheres adultas todas se encontram num hotel austríaco na véspera da I Guerra Mundial. Rapidamente as três mulheres se aproximam e começam a partilhar experiências e os seus próprios corpos.
Querer alongar mais, ou elevar a outro plano que não este, seria estar a desvirtuar a obra em si. Digo-o porque estamos perante uma obra pornográfica. Aliás, uma obra assumidamente pornográfica, uma vez que assim foi classificada pelo seu autor (apesar da ressalva do mesmo para o facto que o que separa erotica de pornografia é... o rendimento do leitor). Assim sendo, perder muito tempo em análises exaustivas seria como colocar ao mesmo nível Sá Leão e Alfred Hitchcock.
Não é que o livro não se apresente, do ponto de vista estético, como uma obra agradável. O desenho é feito todo em tons de lápis de cera, imagens esbatidas, apresentando estruturas diferenciadas para cada narradora, e mantendo-se firme às oito páginas por capítulo. Também a organização destes procurou a sua inspiração nas obras que lhe dão origem, sendo os títulos de cada capítulo expressões da obra onde aparece a narradora principal desse capítulo.
Alan Moore começa muito bem, dotando de um fio narrativo que não nos obriga a conhecer as histórias por trás da história, mas à medida que procura enveredar cada vez mais rumo ao chocante, rumo ao explícito, acaba por se afastar cada vez mais do Jean Rollin que se vinha revelando e acaba por se tornar um Sá Leão. Felizmente, à medida que o conteúdo vai desaparecendo, as imagens ganham destaque, muito por culpa do trabalho de Melinda Gebbie.
No cômputo geral, o livro acaba por ter uma avaliação marginalmente positiva, uma vez que se trata de um livro de banda desenhada, onde a componente visual tem muita importância e consegue, neste caso, colar o caos que se tornou a história. Um pouco como um filme pornográfico...
Entrevista do autor à BBC, colocada no youtube.
Wednesday, January 19, 2011
Teratron - As Cobaias
Não sou um habitual consumidor de música electrónica e lancei-me neste projecto mais para ver a história criada por Adolfo Luxúria Canibal (ALC). Acontece que quando tomei conhecimento do projecto Teratron ainda não havia Cobaias para apreciar. Com o Natal, uma caixinha de "As Cobaias" veio aterrar no meu sapatinho e aquilo que posso dizer é que a história até nem é nada de especial.
Num projecto nada habitual em Portugal, dois músicos convidaram um letrista famoso, um artista gráfico e um actor talentoso, cada qual dando os seus talentos (ou no caso do actor, apenas a voz). A este juntam-se ainda mais duas vozes para darem voz e vida ao Professor M.
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| João Nobre, Adolfo Luxúria Canibal e Pedro Quaresma |
Quando acima referi que a história acaba por não ser nada de especial é porque estamos perante uma obra que não se quer que se esgote na história, mas sim que use esta como cimento que liga tudo. Nesse capítulo tudo sai bem! A música é altamente dançável e acompanha muito bem o ritmo da narrativa (ou deveria dizer que o estabelece?), o que acaba por dar a vontade de ouvir tudo de seguida. Torna-se muito complicado individualizar uma faixa, porque o álbum não existe como um conjunto de faixas. São capítulos de uma só história, contada em linguagem musical, que não existem sem o seguinte.
Gostei bastante do trabalho final. A BD, toda a preto e branco, eleva o livrete do disco à categoria de sublime e, numa altura em que muita gente ligada à música anda a choramingar com os descarregamentos da net, olhar para produtos finais deste tipo (com um preço - inferior a 15 euros - igualmente apelativo) mostra-nos o que é um caminho: boa música, bons intérpretes, peças únicas de entretenimento. Fico a aguardar por Fevereiro, para poder ir ver o vídeo (de 45 minutos) ao cinema!
![]() |
| As Cobaias todas juntas. |
Monday, December 13, 2010
A Doninha Morreu
A notícia da semana passada (e candidata a acontecimento do ano) foi que os Da Weasel acabaram. Pertenço a uma classe de pessoas que não andaram a correr o país com eles, mas mesmo assim, o 3º Capítulo pertence à categoria de álbuns mais tocados na minha aparelhagem. Tudo ali, desde a música às letras, passando pela produção e pelos espectáculos ao vivo (só durante a Expo '98 foram três) transmitia qualidade bem acima da média. O Manual, capítulo seguinte na discografia, foi uma relativa desilusão. Por comparação quase tudo o que fizeram perde para a inovação e para a surpresa que o 3º Capítulo fora. Quase tudo porque saíram pela porta grande com o fabuloso Amor, Escárnio e Maldizer.
Apesar do fim das doninhas, o futuro musicalmente será radioso para quem o quiser ver. Radioso porque as doninhas redescobriram a alegria de fugir à rotina e de nos surpreender. Na lista de compras já se encontrava As Cobaias, próximo trabalho dos Teratron, mas hoje esse trabalho recebeu a companhia de Os Dias de Raiva.
Resumindo: se é verdade que a doninha morreu, a boa música destes artistas "está aí e veio para ficar".
Apesar do fim das doninhas, o futuro musicalmente será radioso para quem o quiser ver. Radioso porque as doninhas redescobriram a alegria de fugir à rotina e de nos surpreender. Na lista de compras já se encontrava As Cobaias, próximo trabalho dos Teratron, mas hoje esse trabalho recebeu a companhia de Os Dias de Raiva.
Resumindo: se é verdade que a doninha morreu, a boa música destes artistas "está aí e veio para ficar".
Friday, October 15, 2010
Cidade Proíbida, Eduardo Pitta
A leitura deste livro despertou em mim, enquanto leitor, alguns sentimentos contraditórios. Enquanto que o livro está bem escrito, num português de fazer inveja a muito "escritor" que por aí anda, na verdade o fruto final mal passa de uma laranja de jardim, com muita casca e pouca polpa.
Lida a obra, sobressai a sensação que, acima de tudo, o que mais se destaca será um certo desabafo por parte do autor. Ou então vários desabafos!
Eduardo Pitta não é propriamente uma novidade, tendo já alguma obra publicada no campo da poesia, mas esta é a sua segunda incursão pelo mundo da prosa. A obra apresenta-nos a (aparentemente) atribulada relação entre Martim e Rupert. O primeiro português de "boas" famílias, o segundo um inglês proleta (como a secretária de Martim lhe chama a páginas tantas). Ambos vivendo já há alguns anos uma relação amorosa.
A diferença de estratos sociais e a necessidade de uma vida em comum, será a primeira "cidade proíbida" que Eduardo Pitta nos apresenta. Há uma clara e notória incapacidade de Rupert se relacionar com o meio de Martim (e vice-versa), o que faz com que ambos tenham aí uma constante fonte de tensões na sua relação. A segunda "cidade proíbida" reside na mentalidade fechada do meio de Martim, relativamente à sua orientação sexual, onde ele não pode assumir às claras que Rupert não é um amigo, é para ele bem mais que isso.
Ao confrontarmos a biografia de Pitta (na wikipedia, confesso) com esta obra, é impossível não nos interrogarmos do quão auto-biográfico ela será, e quantos dos comentários e apreciações desse narrador ausente, não serão a voz do autor a necessitar de se afirmar, de apontar, de tirar um peso dentro de si. Necessidade essa que, parece-me, acabou por toldar um pouco a clareza na hora de explorar as personagens e até mesmo de desmistificar as relações homossexuais em Portugal.
As primeiras trinta páginas da obra, apenas terão interesse para quem estiver interessado em refazer o circuito homossexual de Lisboa/Londres dos anos 70/80. Aliás tanta procupação com o "onde" e alguns laivos de "o quê", com muito pouco "como", fazem com que a relação central se esbata e apenas com dificuldade, e doses massivas de imaginação, se possa descortinar donde e porque vêm os seus problemas.
Quase em simultâneo, a família de Martim já era uma família de "bem", quando Maputo era a Lourenço Marques, cidade natal do autor. Estas coincidências acrescem um cunho de relato histórico à obra, que não contribuindo muito para o conteúdo, aumentam um pouquinho o interesse.
Em jeito de resumo, a obra, para lá do roteiro homossexual, assume-se como pouco mais do que um desfilar de estereótipos, com um certo tom de saudade por um período (colonial) que já não volta, e com pouca dedicação posta no desenvolver as pontas que poderiam contribuir para fazer da obra algo mais. A sensação que fica é que a cidade que Eduardo Pitta nos quer mostrar é tão proíbida, que ele não nos pode mostrar mais do que as suas portas!
Saturday, October 2, 2010
2010 - Blind Guardian - At the Edge of Time
Eis aqui a nova obra de uma das minhas bandas preferidas. Chegou ontem por correio e agora só falta ouvir até ficar com os ouvidos a zunir. Pelo que já tive a oportunidade de "provar" o prato promete!
Wednesday, September 8, 2010
Monday, August 23, 2010
A doçura dos 16 - Bandas
Tenho andado recentemente a divulgar vídeos de bandas que ouvia há coisa de dez (ou pouco mais) anos. Esse facto fez-me fugir um pouco ao que tem sido o habitual esquema arrumadinho deste site para dar aqui algum destaque a algumas bandas que me marcaram.
Nesses idos anos, uma das bandas que mais mexia com a cena punk em Lisboa e arredores (caramba, no país no todo!) eram os X-Acto, banda que mais tarde mudaria de alinhamento e nome para Sannyasin.
Participei em vários concertos e hoje ficam aqui algumas músicas que encontrei no youtube.
Nesses idos anos, uma das bandas que mais mexia com a cena punk em Lisboa e arredores (caramba, no país no todo!) eram os X-Acto, banda que mais tarde mudaria de alinhamento e nome para Sannyasin.
Participei em vários concertos e hoje ficam aqui algumas músicas que encontrei no youtube.
Monday, August 9, 2010
I am Legend, Richard Matheson

A definição de ficção científica é algo que não se encontra bem estabelecida. No entanto, seja qual for a definição, se não permitir a inclusão de I am Legend, de Richard Matheson, será uma definição incompleta/insuficiente.
Pode parecer um exagero mas só para quem nunca leu a obra. Aliás, de tão genial e inovadora que a obra é, qualquer comparação com o filme de 2007 (com Will Smith no principal papel) corre o risco de não começar a fazer sequer juz à obra. O filme deveria ser considerado não uma adaptação, mas um insulto!
Em I am Legend, Matheson dá-nos a conhecer Robert Neville, o último representante de uma humanidade transformada em mortos-vivos. Inicialmente somos levados através das suas rotinas diárias, apesar de a escrita nunca se tornar aborrecida e repetitiva, sendo-nos apresentadas as rotinas com que ele combate a solidão e as formas como lida com a companhia das criaturas que ele baptizou de vampiros. É então que entra em cena o método científico e a procura de Robert por ir à raíz do vampirismo.
Praticamente em toda a obra seremos levados pelo processo de descoberta do Bacillus vampirii, o agente infeccioso que levou a mulher e a filha de Robert, uma boa parte da população e que Robert elege como seu adversário principal. Entretanto a sobrevivência do mais apto entra em cena e Robert trava conhecimento com Ruth, uma sobrevivente da infecção que pertence a uma nova sociedade, uma sociedade que tem uma forma peculiar de olhar para Robert, a sua existência e o seu lugar na História.
Numa altura em que os vampiros são criaturas fofinhas e de levar para casa como forma de entretenimento leviano, I am Legend (re)surge como uma refrescante lufada de ar fresco e uma nova luz no mito do vampiro. Publicado pela primeira vez em 1954, será porventura uma das obras mais influentes no meio cultural desde essa altura. Não só Stephen King considera Matheson uma das fontes de inspiração, como após é impossível dissociar filmes como a Saga dos Mortos de Romero, ou 28 Dias/Semanas de Danny Boyle, desta obra. Matheson, ao escrever um livro de ficção científica no seu estado mais puro, acabou por fundar reconverter o género do terror, introduzindo a figura do zombie. Pois os vampiros de Matheson são aquilo que hoje em dia se chamaria de zombies! A evolução do Conde de Bram Stoker à luz do que a ciência da década de 50 nos dizia ser o funcionamento do corpo humano, conduziram a esse corpo animado por uma bactéria.
A obra de Matheson é no entanto algo mais que uma simples, rápida e agradável leitura. Mais do que entretenimento, Matheson serve-nos um banquete de questões existenciais (ou pseudo-existenciais, mas questões à mesma!). Assim o B. vampirii é desculpa para uma reflexão sobre a sanidade e a humanidade de uma existência solitária, para o instinto de sobrevivência quando tudo nos diz para desistir e acima de tudo para o que é ser normal num mundo em permanente mudança, pois na realidade a obra mais que não é do que a viagem de Robert da sua humanidade até ao momento em que, introspectivamente ele chega à conclusão que mais não é do que o produto de lendas do passado.
Wednesday, June 30, 2010
Os lobos não usam coleira, Carlos Vale Ferraz

O filme "Os Imortais" é um dos filmes portugueses que mais me agradou. Desde que há cerca de seis anos que o vi que procuro incessantemente. Este ano a espera acabou. A leitura obviamente não esperou muito mais!
Conta a história de uma equipa de comandos da Guerra do Ultramar que por um acaso se cruzam com um inspector da judiciária poucas semanas antes da reforma deste último. Escrito num tom de investigação policial, deriva por vezes para algumas impressões do inspector Malarranha sobre a guerra e a justiça dos que por lá ficam contra os que de lá voltaram, uma vez que também a família dele se encontra marcada por essa guerra. De uma forma bastante leve acaba por ser uma visita guiada ao Portugal da primeira metade dos anos 80.
Quanto à escrita parece estar ali um bocadinho perto de um José Cardoso Pires, mas as personagens perdem em profundidade para este. Quando comparadas com o filme, parece-me que algumas ficam a ganhar, mas torna-se difícil de dar ao Inspector Malarranha uma profundidade maior do que Nicolau Breyner colocou na sua interpretação.
É uma leitura muito agradável, que toca em várias feridas do Portugal pós-colonial e em vésperas de se abrir à Europa, que não sendo um clássico, é uma boa obra.
Monday, June 21, 2010
Hard Candy, 2005

Dirigido por David Slade, este filme independente de 2005 conta-nos um encontro entre Hayley Stark (Ellen page), uma adolescente de 14 anos, e Jeff Kholver (Patrick Wilson), um fotógrafo profissional, os quais mantêm uma relação num chat.
Um dia decidem encontrar-se e Ellen revela-se bem mais do que uma simples e inocente rapariguinha. Num mirabolante desenrolar do enredo, ela acaba por se revelar mais o lobo mau, fazendo um genial jogo do gato e do rato com Jeff com um final diabolicamente... (Não esperavam que eu contasse pois não?)
O destaque do filme vai inteirinho para a interpretação de Page! A forma como ela constrói o 'lobo vestido de cordeiro' que Hayley se acaba por revelar é soberba e faz com que a interpretação de Wilson soe a insípida. Face ao enredo reduzido (contam-se cinco personagens, uma delas interpretada por Sandra Oh) até pode parecer que seria fácil, mas penso que já se viu muita gente grande a fazer má figura em papéis mais simples. Ellen Page iria fazer Juno depois deste filme, mas para quem viu esse filme e gostou, este acaba por suplantar.
Avaliação: 4/5
Tirada: "Jeff, play time is over... Now its time to wake up."
Wednesday, May 19, 2010
Bad Religion - 30 Years Live

Por ocasião dos seus trinta anos, estes veteranos e avôzinhos do punk californiano disponibilizaram no seu site, para download gratuito (mediante registo também gratuito, enfim, será de esperar alguma correspondência não requisitada), um álbum ao vivo.
Há também a informação que podem estar a preparar mais um de originais. Punk's not dead, yet!
Tuesday, May 18, 2010
Dark Tranquility - We Are the Void

O sexteto sueco de Death Metal melódico está de regresso, com o seu nono álbum de estúdio. Não se poderá no entanto falar de um trabalho totalmente novo. Não sendo tão arrojado como The Gallery (1995), é no entanto um álbum muito na linha do que habitualmente produzem, com a mistura final a remeter-nos bastante para o período Projector/Damage Done (1999/2002).
Não será certamente um álbum para conquistar novos fans, mas os antigos não verão as suas expectativas defraudadas, por uma das bandas que definiram o género.
Monday, May 10, 2010
Robert Louis Stevenson, ou a dualidade do Homem

A propósito de ter lido recentemente The Strange Case of Dr. Jeckyll and Mr. Hyde, em conjunto com The Merry Men and other Tales and Fables, editados num só volume pela Wordsworth Classics, decidi desta feita comentar um autor, neste caso Robert Louis Stevenson.
Autor escocês, viveu na segunda metade do século XIX e ganhou notoriedade pela sua Treasure Island.
Também foi autor de vários contos, entre eles o muito conhecido The Strange Case of Dr. Jeckyll and Mr. Hyde, no qual faz uma incursão por domínios da ficção científica.
A pluralidade de géneros é uma característica dos seus contos. No volume The Merry Men and other Tales and Fables podemos encontrar experiências no domínio do fantástico (casos do demoníaco Thrawn Janet, ou do licantrópico Olalla), ou novamente o tema da dualidade do Homem (casos de Will O'the Mill ou The Treasure of Franchard).
Aliás, uma das características nas obras de Stephenson é a abundância de personagens com um carácter duplo. Assim como em Treasure Island, Long-John Silver não se assume inicialmente como um pirata, em The Strange Case of Dr. Jeckyll and Mr. Hyde esse tema está exposto desde o início. Em Olalla pode-se estabelecer um paralelismo entre aquela família abandonada e a dicotomia bem vs mal, patente no afável médico londrino. Em Will O'the Mill ou The Treasure of Franchard, essa dicotomia não se manifesta no confronto entre o bem e o mal, mas sim ao nível do dever e prazer, com as personagens a debaterem-se com questões em que se confrontam o seu bem estar com o seu sentido de dever.
O exercício de analisar a mente de um assassino de ocasião, realizado em Markheim, acaba por se revelar um compêndio dessas características de Stephenson, onde um personagem exibe simultaneamente um confronto entre o bem e o mal e acaba, de uma forma que roça os dominíos do fantástico, com um diálogo entre o seu sentimento de dever e o de bem-estar.
Wednesday, April 21, 2010
Pesadelos em Peluche, Mão Morta, 2010
Aparentemente ja esta nas lojas mais um album dos lendarios e nada imaginarios Mao Morta. Pesadelos em Peluche promete ser um regresso ao rock mais rasgadinho e menos atmosferico/avant-garde dos ultimos trabalhos.
Como me encontro longe, fico a aguardar por uma oportunidade de colocar nos ouvidos tao aguardada obra, mas sera de esperar desenvolvimento aqui no blog.
Wednesday, March 31, 2010
Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?, de António Lobo Antunes

...Ou uma viagem às memorias de uma família. Ou uma viagem às memórias dos elementos de uma família. Ou uma viagem as memórias de cada um nós, no dia em que o nosso mundo se desfaz, uma viagem as profundezas da memória individual, não só de cada um, como de cada família, realizada através dos desabafos e das recordações de uma família de proprietários do Ribatejo.
É uma família atormentada pelas lembranças dos seus elementos, aquela que António Lobo Antunes nos traz nesta obra. Um pai morto e uma mãe a morrer, a empregada/ama bastarda e os filhos desavindos e desviados, quais alegorias dos males modernos que fervilham dentro de nós e nos fecham ao mundo dos outros. Somos levados por Lobo Antunes aos seus pensamentos enquanto esperam pela morte da mãe (Não que a mãe não partilhe também as suas angústias do leito da morte) todos deambulando pelo solar dos Marques, percorrendo os seus locais e as suas janelas que engrossam, locais onde as suas memórias se ligam com o presente e nos desfilam as suas virtudes defeituosas e os seus traumas.
Em tempos sombrios, nos quais se vive sob o signo da (o)pressão e a palavra liberdade serve de máscara para limitação, a obra de Lobo Antunes não é um farol, mas não é mais uma pesada âncora para nos deprimir. Fazendo uso da sua experiência médica, somos conduzidos a uma consulta, o relato é isso mesmo, um relato, não um texto de reflexão, mas donde se pode retirar muita matéria para tal. Assume-se o texto como um elaborado apelo a que lidemos com os nosso fantasmas, um encorajamento a que deixemos para trás o peso morto de memórias dolorosas, que encaremos os defeitos de frente em vez de os ignorarmos e escondermos em nome de uma qualquer aparência deturpada e de um status obscuro.
A escrita é a do estilo elaborado e muito próprio do autor, revelando-se de alguma dificuldade para quem espera uma narração toda ela linear e monotonia. A necessidade constante de passar para o papel uma linha de raciocínio, com todas as que se cruzam nele, qual neurónio com as suas ramificações, faz com que a escrita se enriqueça, com frases de vinte paginas, como o individuo que sozinho no quarto, reflecte sobre si. O complexar dos raciocínios não aumenta no entanto a complexidade da escrita e após alguma habituação o leitor entrara facilmente no ritmo de leitura, apesar de eu recomendar que os primeiros capítulos seja lidos de uma assentada.
Tuesday, March 9, 2010
Contos, Miguel Torga

Nasceu a 12 de Agosto de 1907, em São Martinho da Anta, Trás-os-Montes.
Faleceu em 17 de Janeiro de 1995.
De seu verdadeiro nome, Adolfo Correia da Rocha, Miguel Torga é o pseudónimo literário pelo qual ficou conhecido.
Formado em Medicina pela Universidade de Coimbra, colaborou na revista Presença, e dirigiu as revistas Sinal e Manifesto.
Em 1976 foi distinguido com o Grande Prémio Internacional de Poesia das Bienais Internacionais de Knokke-Heist, em 1980 com o Prémio Morgado de Mateus, em 1981 com o Prémio Montaigne (Alemanha), em 1989 com o Prémio Camões e em 1992 com os prémios Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores e Figura do Ano da Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira. in Contos, Miguel Torga, 1ª edição, D. Quixote
O simples desfraldar da sua vida não nos diz quem era Miguel Torga.
O simples listar dos prémios que ganhou, não traduz a simplicidade da sua escrita.
Apenas a simplicidade da sua escrita nos permite alcançar a complexidade do seu ser.
Miguel Torga é um nome maior da literatura portuguesa. Não tem grandes romances, mas tem muitos contos. Contos que não saturam, passados num Portugal esquecido, num Portugal tão longínquo e no entanto tão próximo e ali ao virar da esquina, mesmo quinze anos após o falecimento do autor.
Os contos de Torga poderiam ser os contos da infância de um Portugal atrasado, mas que contam, como as aventuras de uma criança, o que é o Portugal adulto.
A escrita dos Contos de Miguel Torga é feita numa linguagem rústica e dura e simples, como os seus personagens, postos à prova pela dureza da vivência diária. É uma escrita que nos relata os imaginários de todo um povo obscurantista desde sempre e demasiado ocupado a conseguir ter pão na mesa ao jantar para se preocupar com o dia de amanhã.
Os Contos de Miguel Torga são o Portugal e a sua memória colectiva. Neles encontramos a essência do ser Português e tudo envolto nessa simplicidade complexa a que chamamos Portugal.
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