Long ago in a dusty village full of hunger, pain and strife, a man came forth with a vision of truth and the way to a better life. He was convinced he had the answer and he compelled people to follow along, but the hunger never vanished and the man was banished and the village dried up and died.
At a time when wise men peered through glass tubes toward the sky, the heavens changed in predictable ways and one man was able to find that he had thought he found the answer and he was quick to write his revelation, but as they were scutinized in his colleagues eyes he soon became a mockery
Don't tell me about the answer 'cause then another one will come along soon. I don't believe you have the answer, I've got ideas too. But if you've got enough naivete and you've got conviction then the answer is perfect for you
An urban sprawl sits choking on its discharge overwhelmed by industry. Searching for a modern day savior from another place inclined toward charity. Everyone's begging for an answer without regard to validity the searching never ends it goes on and on for eternity
Em 2004 quem se movimenta na área do metal e do rock mais puxadote tinha muitos motivos para andar satisfeito. É o ano de Human Equation (Ayreon), de Leviathan (Mastodon), de Reise Reise (Rammstein), de Subliminal Verses (Slipknot) ou de Once (Nightwish) e Silent Force (Within Temptation). No entanto é também o ano em que Jari Maënpää deixou a sua marca. Não me refiro obviamente à sua participação no Iron, dos Ensiferum, mas sim do álbum Wintersun.
Os Ensiferum são apontados por alguns como uma das grandes bandas da cena Folk e Iron é apresentado como um dos seus álbuns seminais, no entanto, por motivos de conflito entre a divulgação do já referido Iron e o tempo que estúdio para gravar o seu projecto a solo, a banda perdeu nesse ano a participação do finlandês Jari Maënpää. Em boa hora o terá feito pois o álbum Wintersun é claramente superior a toda a obra da banda que o viu partir. Será mesmo, com Human Equation e Leviathan um dos três álbuns do ano.
Com tal aceitação a espera por um sucessor começou. Oito anos passaram até que os Wintersun, conseguissem lançar o sucessor do seu primeiro álbum. Oito anos muito dados a piadas e a boatos, mas que chegam ao fim com o lançamento da primeira parte de Time. Sim, tanto tempo à espera e o nome do álbum é Time! A questão que se coloca é se valeu a pena a espera.
Pela parte que me toca, esta primeira parte sabe francamente a pouco. Seria complicado apresentar a mesma frescura, o mesmo som a novo, do primeiro álbum, mas apenas três faixas de música em cinco (Sons of Winter and Stars, Land of Snow and Sorrow e Time) sabe a pouco. Claro que as três faixas roçam individualmente o épico. A primeira em particular, dividida em quatro andamentos, é como que um apanhado das capacidades técnicas da [agora] banda, apresentando várias camadas.
O produto final é portanto fiel ao princípio do primeiro álbum, apesar de lhe faltar substrato. Provavelmente todo o projecto teria ganho com o ser lançado como álbum duplo e não em duas partes distintas, o que leva a pensar quanto tempo teremos de esperar de pela segunda parte. Musicalmente não desilude e face à impossibilidade de ser a novidade do primeiro álbum, consegue ainda assim manter o nível bastante elevado. Dificilmente será um candidato a álbum do ano, mas será para ouvir várias vezes.
Se calhar ainda é cedo mas alguns leitores fizeram-me chegar mais uma curta lista de coisas e acho que era injusto deixá-los à espera que a lista engrossasse.
Em conversa com uma colega hoje acabei por encontrar eco para um pensamento que me assolava. Esse pensamento é que vivemos neste momento na, se lhe pudermos chamar isso, era dourada da música portuguesa. O que sucede, talvez pelo mundo global em que vivemos, é que o número de projectos que se multiplicaram nos últimos dez anos (ou assim) de música de qualidade em português se têm multiplicado e encontrado ecos editoriais. Abaixo segue uma lista dos que fazem o meu topo de preferências e que ajudam a reduzir saudades. Abençoados sejam por me manterem longe dos Dinos Meiras e afins desta vida!
Este ano a visita a Algés foi mais extensa do que em 2011. O cartaz era feito de poucos conhecidos e a proposta era essencialmente de descoberta. Essa abordagem pode ser ingrata para os conhecidos, uma vez que geram expectativas, e feliz para as descobertas, pela falta das mesmas.
Qualquer comentário ao que foi o festival terá de passar obrigatoriamente por comentar o que foi a presença dos Radiohead. Estou longe de ser um ferrenho conhecedor da banda, de modo que as minhas expectativas para o que poderia ser um concerto deles foram muito influenciadas pela expectativa que criaram à minha volta. E que expectativas eram essas? Para começar gente que por instantes esqueceu que tinha contas para pagar e foram a correr ajudar a esgotar o terceiro dia do festival. Outros, exilados em paragens mais frescas e sem férias para gastar, a lamentarem profundamente a sua incapacidade de fazerem oito horas de vôo (quatro para cada lado) para assistirem à banda. Uma olhadela atenta ao horário dos palcos permitia concluir que durante a actuação de Radiohead, mais nenhum palco estaria a funcionar. A noite prometia portanto ser épica. Prometia mas falhou a toda a linha! Provavelmente tem de se ser um indefectível adepto da banda para se conseguir apreciar todo o eventual esplendor colocado em palco. Radiohead foi, não há outra palavra, uma merda. Foi algo de tão mau, tão mau que ainda antes do final abandonei o local onde me encontrava para ir comer qualquer coisa bem longe deles. Posso assegurar que não fui o único a fazê-lo e nem sequer o primeiro, mas percebe-se perfeitamente a atitude das pessoas porque era decididamente muito cedo para se começar a fazer o chill out. Radiohead vieram como cabeças de cartaz quando, para fazerem o bonito número a que se prestaram, deviam ter sido atirados para as três da manhã como banda de chill out. Confesso que se estivesse num bar pequenino, sentado e a conversar com amigos, o concerto teria andado a roçar o muito bom. Num ambiente de festa e todo ele a transbordar energia, Radiohead foram os assassinos do ambiente, aquilo que em inglês se designa mood killers. Nessa fina arte de dar banho aos cães eles foram geniais até porque conseguiram juntar um alinhamento para koalas mordidos pela tsé-tsé a uma total inabilidade (falta de vontade?) para comunicar com o público. Quem tivesse assistido às nem-sequer-tentativas de interagir pensaria que os Radiohead seriam a banda chamada à última da hora para substituir um cabeça de cartaz. Ao lado das palavras isoladas de Thom Yorke (se entre músicas usou mais do que, assim por cima, três eu não ouvi), os sussuros impercetíveis de Robert Smith no dia antes soavam a poesia. Até a choraminguice de B Fachada conseguia ser enternecedora. A título de curiosidade, os SBTRKT conseguiram utilizar na sua apresentação ao público mais palavras numa frase, que os Radiohead no concerto todo. Salvou-se o bom trabalho vídeo, mas mais uma vez, isso podia eu ter num bar...
O que dificilmente teria num bar era a performance absolutamente irrepreensível dos portugueses PAUS. Só eles fizeram valer a pena ter estado neste dia no Alive. Sonoridade fresca, abordagem impecável e interacção com o público sem mácula. Muitos podem-me chamar louco, mas acho que os veteranos cabeças de cartaz não perdiam nada em descer do seu pedestal e aprender com estes novatos a tomar o pulso à plateia. B Fachada trouxe lá mais para a tarde o seu karaoke cheio de ritmos calmos e introspectivos. Comunicou muito com o público, mas o papel de coitadinho a entre cada duas músicas não combinava com aquele final de tarde à beira rio. De Márcia, que havia actuado momentos antes só ouvi parte de uma música. Não gostei do que ouvi e portanto fui para outras paragens, mesmo a tempo de ouvir o final de Warpaint e de lamentar não ter ouvido todo o concerto. Os instantes de Maccabees que ouvi também foram interessantes, mas havia alguma expectativa de ir arranjar um lugar para a grande banhada...
No capítulo do "esperava um bocadinho mais" terá de se recuar um dia e falar dos Florence and The Machine. Esperava-se mais, porque acima de tudo se esperava que aparecessem! O ritmo a que alguns artistas recentes ficam com súbitos problemas vocais faz pensar que o regime saudável de outros tempos é bem mais saudável. Perguntem aos Rolling Stones que eles explicam... Para tapar a cratera lá se chamaram os Morcheeba. Muitos dos ouvido mais jovens ficaram frustrados, mas têm de ser perdoados. Afinal daqui por quinze anos será a Florência deles que será chamada para tapar buracos! Sim rapaziada, houve uns tempos em que os Morcheeba eram para nós o que Florence and the Machine é para vocês! O alinhamento foi agradável, mas não aqueceu muito a assistência, até porque soprava uma brisa do rio que destoava do dia quente.
Se as orelhas de há quinze anos começaram a aquecer com Morcheeba, as de há 25 escaldaram com o que se seguiu. The Curepodiam muito bem ter tocado toda a sua discografia que no final não chegaria. A multidão de indefectíveis custou a arrancar, mas os toadas mais mornas tiveram o condão de refrescar os sectores menos condensados da assistência, fustigados que eram por faixas introspectivas e uma aragem fresca.
Nada fresca, mas sim muito escaldante, foi actuação dos Blasted Mechanism. Com álbum novo na mala e prestes a celebrar mais um aniversário sem esse monstro do palco que era o seu primeiro vocalista, a banda apresentou um registo onde os temas novos se integram muito bem nos velhos, apresentou arranjos diferentes, mais em linha com a sonoridade presente, cativou todo o palco secundário e mostrou que serem atirados para as três da manhã foi uma tremenda injustiça para uma banda da casa. Não que isso importasse! A interacção com o público foi total e se antes havia uma figura de destaque, neste momento há um colectivo de destaque, sempre a puxar para cima a energia do público!
Antes nesse dia, os Awolnation mostraram que a sua música não se fica pelo muito tocado Sail. Há ali muita energia e músicas para abraçar o parceiro do lado. O vocalista vestiu impecavelmente a pele de mestre de cerimónias e saí do concerto bastante satisfeito.
Outras aragens, mas estas mornas a dar para o escaldante, minaram o concerto de Stone Roses na primeira noite do festival. Não é que o alinhamento fosse fraco, não é que faltasse entusiasmo na banda ou nos presentes, simplesmente foi injusto pô-los a tocar ao mesmo tempo que a malta se acotovelava (no bom sentido) na outra ponta do recinto para ouvir (muitos não conseguiriam ver) os Buraka Som Sistema. Passar junto ao palco secundário e não começar a "dançar" (usemos o termo num sentido lato, no qual se incluem coisas como "abanar-se") era impossível. Acredito mesmo que as próprias árvores e pedras da calçada estavam a dançar, tal o contágio que emanava do palco.
Este dia acabou por ser mesmo para mim o mais interessante. Apesar de apenas ter assistido a partes dos concertos, Miúda e Dum Dum Girlsbrilharam muito, mas a minha razão de estar no recinto no primeiro dia foram os suecos Refused e não desiludiram. Punk agressivo q.b., uma mensagem aqui e ali e a mesma música de sempre, a encorajar um dos melhores moshes onde tive o prazer de estar nos últimos anos.
Um comentário à organização. Já o ano passado, em que só fui um dia, havia ficado um profundo sentimento de injustiça quanto à arrumação dos palcos. Desta vez o sentimento cresceu na directa proporção do número de dias em que lá fui, mas não só. Mais do que a sobreposição de concertos interessantes, por mais do que uma vez se revelou que havia bandas escaladas para o palco errado.
Na categoria sobreposição houve melhorias, mas não se evitou o momento quase confrangedor ver que Stone Roses tinha uma mancha a assistir quase tão grande como... PAUS! Em grande parte porque muito público se deslocou do palco principal para o palco secundário, para os lados do palco secundário, para trás das barracas de comida que tapavam a vista para o palco secundário, enfim... Para onde lhes fosse possível serem contaminados pelos ritmos de Buraka.
No capítulo "banda certa no local errado" entram direitinhos, lá está, os Buraka. Com gente que ia até bem longe do palco, a banda da Buraca justificou um lugar num local mais amplo. Se a quantidade de gente por si só não chegasse, o facto de puxar mais gente com o passar do concerto, ao contrário de outros cabeças de cartaz, fá-lo-ia. Ainda no primeiro dia, os LMFAO levaram muitos pais a levarem a sua prole pela mão para assistir ao concerto. Agora, eu gosto muito dos Refused e adorei o concerto deles, mas claramente a sonoridade dos suecos presta-se muito mais ao recato de um palco secundário do que a actuação de uma das bandas quentes do momento. Ficou, no final do terceiro dia, também o sentimento que houve má gestão dos cabeças de cartaz. Quando olho para o que foi o festival, se Stone Roses tocasse no terceiro dia e Radiohead no primeiro, todo o sentimento poderia ter sido diferente. Se, se, se...
No capítulo transportes, lamento profundamente que a malta da Margem Sul continue a ser maltratada. Como se não bastassem os cortes do Governo nos barcos, a organização manifestou a incapacidade (eu gosto de pensar que não conseguiram, mas...) de arranjar barcos especiais combinados com os últimos comboios/autocarros, mas tirando esse particular parece-me que houve um investimento em facilitar as acessibilidade ao festival.
Concluindo, um festival sempre agradável que começa a granjear adeptos em paragens mais distantes, mas que me deixou com muitos "ses" e isso não me deixa elevá-lo aos píncaros...
PRÉMIO "Quero o meu dinheiro de volta!"
-Radiohead
-Márcia
PRÉMIO "Eu até estava cansado e a precisar de descanso."
-The Cure
-Morcheeba
-B Fachada
PRÉMIO "Não conhecia estes tipos, mas o bilhete começa a parecer bem comprado."
Neste espaço dedico-me muito aos livros que leio, um pouco aos filmes que vejo e quase nada à música de oiço. Com o aproximar do fim do ano, quando todos começam a fazer listas de melhores do ano e afins, comecei a pensar quais os melhores concertos em que estive.
É difícil dizer que um concerto me tenha marcado pela negativa. Sou um adepto da música consumida ao vivo e apenas lamento que as bandas de que gosto não actuem mais pelas minhas paragens. 2011 no entanto foi um bom ano! Claro que tive de me fazer ao ar e à estrada e esse é o ponto positivo de 2011. O facto de ter podido fazer o que não está ao alcance de muitos: viajar e ir a concertos.
Arnhem, Amsterdão, Lisboa, Amsterdão, Zoetermeer, Almada, Copenhaga e novamente Amsterdão foram as paragens de um circuito que contou com rock, metal, jazz e blues. Nos próximos tempos vou tentar fazer um apanhado do que cada concerto foi individualmente, tentar trazer ao de cima o que me ficou de cada concerto. Até lá deixo abaixo alguns excertos retirados da net.
Os Iced Earth nem figuram na minha lista de bandas preferidas. Falta-lhes um certo virtuosismo que compensam com atitude. Claro que um adepto de música punk a falar de virtuosismo corre o risco de passar por cínico. A diferença é que em Iced Earth falta uma certa velocidade característica da música punk.
Este novo álbum, com novo vocalista (desde 2002 que andam em busca de cordas vocais à altura) traz-nos um pouco mais do mesmo estilo de acordes secos e pesados alternados com baladas, tudo servido em velocidade degustativa. A voz do novo vocalista alterna momentos em que nos lembra porque gostamos de ouvir Iced Earth (Days of Rage poderia perfeitamente pertencer à Dark Saga), com outros em que claramente estamos a ouvir outra coisa qualquer (End of Innocence). Já Boiling Point entra para a galeria dos momentos altos do disco, soando vagamente a Demons and Wizards. V passa por uma aceitável música de Iron Maiden (com um ataque de laringite).
Talvez este Dystopia precise um pouco mais de tempo para amadurecer, ou talvez se safe melhor ao vivo, no final as faixas que mais se destacam acabam por ser as de bónus. Os habitués gostarão, mas não será álbum para conquistar novos adeptos.
Os 5OhKubo, banda fundadora do Almadacore, música veloz e positiva, venceram o 7 º Concurso de Música Moderna da Câmara Municipal de Almada. Ficam abaixo o clip homónimo e o clip disponibilizado pela CMA, porque o link para o MySpace está ali ao lado desde que a página abriu.
Descobri tarde Bad Religion. A minha primeira experiência até nem foi muito agradável. No entanto na minha fase adulta tenho voltado várias vezes ao seu material e admirado a escrita. O que mais me surpreendeu na banda foi o descobrir que o seu vocalista não só tem um doutoramento, como ainda é professor universitário.
Recentemente adquiri mesmo um livro seu, do qual pretendo falar, e descobri o trecho que transcrevo abaixo. O original pode ser encontrado no site da Scientific American.
Segue então o artigo.
Was Darwin a Punk? A Q&A with Punker-Paleontologist Greg Graffin
The evolutionary biologist and lead singer for the punk rock band Bad Religion explains why there are no good songs about science and how evolution can be a guide to life By David Biello | September 28, 2010 |7