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Wednesday, June 27, 2012

Pearl Jam - Ziggo Dome, Amsterdam, 26-Junho-2012

Este ano vou tentar ir falando dos concertos à medida que acontecem. Também a frequência deve ficar aquém do ano anterior (dica: alguns dos melhores ficaram por comentar).

A época este ano abriu com um nome grande. Pearl Jam no recém inaugurado Ziggo Dome. O alinhamento teve tudo de bom. Da minha lista de músicas preferidas só ficou de fora o Jeremias, mas como a lista é longa  percebe-se.



Como é que um apreciador de música, sem conhecimentos técnicos avalia um concerto? Quer dizer, à partida quem compra um bilhete já tem uma ideia daquilo ao que vai, portanto o espaço para o desapontamento está reduzido logo à partida (apesar de já me ter acontecido). Um método que desenvolvi é medir o tempo até que olho para o relógio. Ontem passava uma hora e pouco desde o início do concerto e a banda tinha-se retirado para um descanso. Mais meia hora, mais descanso e aí estou eu a olhar para o relógio outra vez. O olhar final, que só ocorreu após o final de Yellow Ledbetter, já era mais para perceber qual o comboio que ia apanhar.




 O que achei do concerto? O Ed (foi ele que pediu para ser tratado assim) disse que o concerto de ontem foi o 12º da banda na Holanda. Pois bem, pegando no número o que posso dizer é que ontem durante quase duas horas e meia voltei a ter doze anos e ia para casa do meu melhor amigo ouvir as cassetes do vs e do Vitalogy sem parar, tempos despreocupados, senti-me ganhar anos. Quem nos consegue voltar a sentir jovens merece o nosso agradecimento. De cada vez que andamos para trás estamos no fundo a ganhar todos esses anos lá mais para a frente. Quem nos faz esse favor retarda-nos a senilidade. Todos os momentos em que tal sucede saboreiam-se de uma forma especial. Ontem foi uma dessas noites.

Friday, February 17, 2012

Sara Serpa, Bimhuis, Amsterdam, 10 de Setembro

Diz-se que as primeiras vezes não se esquecem e dificilmente esquecerei o meu primeiro concerto Jazz. Para começar, num país longínquo ter a possibilidade de presenciar um artista conterrâneo, não é uma oportunidade que surja frequentemente. Por outro, todo o cenário em que decorreu o concerto proporcionou um daqueles momentos únicos, que só os espectáculos ao vivo proporcionam, mas sobre isso falaremos mais adiante.

 O dia esteve de calor e a prometer trovoada e a tarde acabou com umas bebidas frescas a ver o sol esconder-se, por entre nuvens de trovoada, na esplanada do Muziekgebow em Amsterdão. No anexo, a Bimhuis, uma das salas míticas do Jazz europeu (hein, não percebo e já ponho rótulos!) ia tocar nessa noite a artista portuguesa Sara Serpa. Não se pode dizer que a sala estivesse cheia, mas apresentava-se bem mais de meia. O cenário esse era todo ele impressionante. Construída em vidro e apresentando cortinas, era possível descortinar uma via rápida, uma linha de electrico, as linhas de comboio que saem de Amsterdão Central e ao longe as aeronaves que se aproximam do aeroporto de Schiphol. Qual a importância deste enquadramento? Para começar o álbum que Sara Serpa trazia na bagagem dava pelo nome de Mobile e que melhor enquadramento para um álbum de viagens do que toda uma paisagem que se mexe e evoca movimento?

 Apesar de evocar movimento o álbum remete para a literatura de viagens. O mesmo foi sendo comunicado pela cantora à medida que apresentava as músicas. O concerto em sim começou por uma viagem suave e em ritmo moderado, à medida que a noite avançava assim íamos sendo embalados pelo suave ondular de Sara Serpa e o seu quinteto. Se algo se pode dizer da primeira parte do espectáculo é que foi apresentado num registo um pouco calmo, colocando os pés com cuidado e um pouco a medo. Ao intervalo a trovoada que estava lá fora prometia contrastar com o ambiente acolhedor do lado de dentro, mas tudo iria mudar para a segunda parte. Conhecendo melhor a casa e tendo sido já apresentada à multidão, Sara Serpa trouxe energia na voz para puxar pelo quinteto e até os elementos fizeram por querer estar à sua altura. As nuvens, invejosas de lhes ter sido roubado o protagonismo, decidiram acrescentar a todo o cenário em movimento lampejos de raios e relâmpagos. O cenário era agora simplesmente de uma beleza indescritível, com os relâmpagos a iluminarem todo o cenário de apresentação de Mobile, com investidas por trabalhos antigos e até mesmo um poderoso fado.

 A distância não me permite detalhar quais as músicas cantadas e tocadas, o que guardarei para todo o sempre é o ressoar da voz de Sara Serpa, que fez inveja aos deuses das trovoadas e abrilhantou o final de tarde.

Thursday, January 19, 2012

Optimus Alive 2011

 Como disse um escriba da revista Time Out, um dos pontos fortes do Alive é que está mesmo à porta de casa. Ora, ter um dos festivais com melhor cartaz à porta de casa é óptimo e portanto lá me pus a caminho de Algés.

 Ia com vontade de ver Xutos e Pontapés, dar um pulinho ao Coreto da Luta, espreitar Iggy and the Stooges, ver Foo Fighters e ainda correr para apanhar o set de Teratron. Acho que ainda havia para aqui mais uns quantos espectáculos para ver, mas a qualidade das bandas que realmente vi fez esquecer o que tinha lá ido fazer.

 A abrir a tarde (a abrir... a minha!) os Xutos. O chamado valor seguro, em dia de regresso de Zé Pedro aos palcos, o alinhamento foi composto por algumas das mais aceleradas e um passeio pela Avenida da Memória. 



 Com o fim de Xutos havia a possibilidade de dar um pulinho ao Coreto da Luta, onde os Homens da Luta aguentavam um animado espectáculo de visita ao álbum "A Luta Continua". Animado é a palavra que define o momento, pois até alguns dos mais trombudos espectadores lá soltaram o seu sorrizito.



 A dada altura fazia-se tarde para conseguir um lugar onde pudesse assistir confortavelmente (leia-se, sem necessitar de um bom par de binóculos) ao concerto de Foo Fighters. Pés ao caminho e uma bifana para a viagem (já apertava a fome) que ainda deu para assistir ao final da actuação de Iggy and the Stooges. Para quem tem o historial de abusos que tem, Iggy é um péssimo anúncio aos efeitos que as drogas (nas suas variadas variantes, passe o pleonasmo) podem ter nas pessoas. 

 A condição física de Iggy no entanto não amedrontou Dave Grohl y sus muchachos. A actuação de Foo Fighters terá sido porventura um dos mais impressionantes concertos a que já assisti. Foram quase três horas de energia pura a ser debitada, quase três horas de saltos e correrias, de gritaria e de suor. Arrisco dizer que perdi um quilo ou dois nos momentos em que, levado pela música, deitei os anos para trás das costas, fui para a molhada e sai de lá com uma dor nas mesmas!



 Para a ceia, uma sandes ao som de Bloody Beetroots. Um som electrónico altamente recomendável a fechar em beleza uma noite feita de sonoridades variadas e um desejo de olhar para o cartaz de 2012.


Tuesday, January 10, 2012

Amon Amarth, Melkweg, Amsterdam, 20 de Maio

Uma das bandas que há mais tempo sigo e aprecio, os suecos Amon Amarth, foram o segundo concerto de 2011. Na Melkweg (Via Láctea) em Amsterdão, o concerto não foi brilhante, mas encantou, como normalmente as primeiras vezes fazem. 

A grande falta de brilho no concerto deve-se, fundamentalmente, aos engenheiros de som que acompanham a banda. Aqui este ouvinte optou por uma das varandas que circundam a sala. O resultado foi que, onde brilharam os Black Dahlia Murder, os cabeças de cartaz eclipsaram-se miseravelmente. Como dizer então que o concerto encantou? Acontece que, farto de bombo e linhas de baixo, decidi ao fim de três músicas descer para o meio da molhada. Aí a magia aconteceu! A voz deixou de ser disforme, os solos de guitarra deixaram de ser movimentos de dedos sem sentido e as músicas, que só eram identificadas por ser nomeadas pelo vocalista, tornaram-se reconhecíveis.

Como foi dito, o facto de a decisão de mudar de ares ter sido tomada a tempo de mudar ainda a impressão do concerto contribuiu em grande parte para o encanto que este primeiro concerto do quinteto sueco fosse uma experiência agradável, mas a cereja que realmente fez com que o bilhete se pagasse sozinho foi a fabulosa mistura de três das suas mais fortes músicas (Victorious March, Death in Fire, Gods of War Arise, com as duas últimas a fazerem parte do meu leque de favoritas).

O público, apesar de contido, reagiu bem à banda, criando uma atmosfera agradável. A banda, com álbum novo na bagagem, não se inibiu de o mostrar. Um bom concerto, que deixou vontade de assistir a outros, mas isso é para ser contado mais tarde.



Sunday, December 25, 2011

Roger Waters, The Wall - Arnhem, 8 de Abril

 O álbum The Wall é um dos meus preferidos. Arriscaria mesmo dizer que não é um álbum, é o álbum. Toda a história que Roger Waters criou pode ser lida à luz de várias interpretações. Soube desta tour ao ler a crítica do concerto de Lisboa e rapidamente procurei as datas na Holanda e, face às três possibilidades, marquei bilhete para a primeira noite de espectáculos.

 A organização holandesa foi exemplar e o facto de começar a minha apreciação por esse ponto deve-se ao facto de não estar habituado a comboios especiais fora de horas e a autocarros para levarem as pessoas de e para o local do concerto. No caso o Gelredome, estádio do Vitesse.

 Quanto ao concerto propriamente dito, consistiu no desfilar das músicas do álbum, acompanhadas de um alucinante espectáculo cénico, desde filmes vários à épica construção do muro que dá o nome ao espectáculo, cuja simbologia se transpõe para a segunda parte do espectáculo, em que a banda e o artista se encontram barrados do público por ele.

 Roger Waters começa a acusar um pouco a idade e faltou, nos instante iniciais, alguma energia que foi aparecendo com o decorrer do espectáculo.

 No cômputo geral a noite foi muito satisfatória e demonstrou que algumas obras não estão destinadas a ficarem presas na época em que são feitas. Na plateia misturavam-se a geração dos 70 com os filhos e, acredito que, alguns netos!



Friday, December 16, 2011

On The Road - Concertos de 2011

 Neste espaço dedico-me muito aos livros que leio, um pouco aos filmes que vejo e quase nada à música de oiço. Com o aproximar do fim do ano, quando todos começam a fazer listas de melhores do ano e afins, comecei a pensar quais os melhores concertos em que estive.

 É difícil dizer que um concerto me tenha marcado pela negativa. Sou um adepto da música consumida ao vivo e  apenas lamento que as bandas de que gosto não actuem mais pelas minhas paragens. 2011 no entanto foi um bom ano! Claro que tive de me fazer ao ar e à estrada e esse é o ponto positivo de 2011. O facto de ter podido fazer o que não está ao alcance de muitos: viajar e ir a concertos.

 Arnhem, Amsterdão, Lisboa, Amsterdão, Zoetermeer, Almada, Copenhaga e novamente Amsterdão foram as paragens de um circuito que contou com rock, metal, jazz e blues. Nos próximos tempos vou tentar fazer um apanhado do que cada concerto foi individualmente, tentar trazer ao de cima o que me ficou de cada concerto. Até lá deixo abaixo alguns excertos retirados da net.